Por volta dos meus 5, 6 anos, eu estava com muita febre, deitada na cama dos meus pais, com a cabeça do lado dos pés, de frente para a porta, onde havia uma cortina pendurada.
Minha mãe, meu irmão mais velho e minha irmã entraram no quarto junto com meu pai, que tinha acabado de chegar de uma viagem (ele estava sempre viajando). Eles ficaram ali, entre mim e meu pai, que estava em pé na porta, nem fora e nem dentro do quarto. Meus irmãos e minha mãe estavam de costas para mim.
Ele me viu na cama e perguntou o que eu tinha. Minha mãe me olhou, junto com meus irmãos, e disse: “O de sempre, febre.” E todos se voltaram para o meu pai e continuaram conversando, como se eu não estivesse ali.
A cena que sempre voltava
Essa cena sempre me acompanhou, e eu não entendia por quê. Até que um dia eu resolvi fazer um exercício.
Voltei àquele momento da minha lembrança e deixei vir os sentimentos que eu estava sentindo. Eu já tinha voltado a essa cena outras vezes, e em uma delas achei que eu queria ser vista pelo meu pai. Mas, para minha surpresa, desta vez, quando me permiti ficar ali, eu pude sentir que estava me sentindo excluída, ignorada. Alguém que estava com “o de sempre”. Alguém que não era importante.
Abracei e acolhi meus sentimentos, e me perguntei: o que eu queria ter feito ou sentido naquele momento?
Eu queria me sentir pertencente àquela família. Eu queria fazer parte do círculo. Então imaginei meu pai saindo da porta e sentando ao meu lado. Automaticamente, minha mãe e meus irmãos se viraram para mim e para o meu pai, e eu fazia parte do círculo, da conversa, da família.
Por que eu estou escrevendo isso
Porque hoje eu estava entre parentes e não me senti pertencendo àquela reunião. Eu não me senti bem-vinda. Senti, muitas vezes, uma certa vibração das pessoas me repudiando.
Cheguei em casa com o meu chakra cardíaco apertado, triste. Chorei em cada canto em que pude estar só. Chorei porque eu vinha fazendo isso comigo a vida toda. Olhar para as nossas sombras é algo que nos choca.
“Como eu pude fazer isso comigo, por tanto tempo?”
Dói saber o quanto podemos ser indelicados conosco.
O antigo paradigma
Hoje eu entendi que esses parentes com quem convivo são os parentes com quem eu me conectei através do meu antigo paradigma. Eu desejava pertencer e, portanto, eu emitia carência, falta.
E comecei a olhar para os outros relacionamentos: amizades, colegas de faculdade, professores, namoros, empresas. Na maioria, com poucas exceções, eu me dobrei, me anulei, me ignorei para caber, para ter a frágil chance de ser aceita.
O novo paradigma
E hoje eu vejo e sinto esse aperto porque eu mudei o meu paradigma. Não me sinto confortável em estar em um ambiente onde não sou aceita, onde me sinto “repudiada”. Eu não pertenço mais a esse estado vibracional.
Eu mudei o paradigma para:
Eu pertenço. Eu pertenço a este lugar, eu pertenço a esta família, eu pertenço a esta amizade, eu pertenço a este círculo de conversa.
E, em qualquer ambiente diferente disso, o meu corpo me comunica, e eu sei que há algo desarmonioso com o que eu vibro.
E você?
Dito isso, eu te pergunto: existe alguma lembrança que te acompanha, e algumas vezes você já se pegou dizendo para si mesma: “Essa lembrança de novo?”
Se ela volta, eu acredito que vale a pena dar atenção a ela. Talvez ela queira te dizer algo.
Se quiser, me conte nos comentários. Vou ler cada um com carinho.
Para continuar a prática: o chakra cardíaco é um dos centros que vamos trabalhar nos vídeos do Alinhamento dos Chakras. Entre na lista de espera e seja a primeira a saber quando forem liberados.
